Jung e a Arte às margens da cidade

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No solo em que germina o evento, que ocorrerá nos dias 13 e 14 do mês de agosto de 2015, florescem os encontros que transitam pela cidade e nos corredores da faculdade. Em suas mãos, um artesão, busca construir com delicadeza o objeto que reflete a paixão da alma. Neste manusear, a mão reverbera nos becos mais escondidos da alma, as lembranças e saberes que só são adquiridos pelas vivências na terra em que os dedos possam estar sujos entre as unhas, e ainda vívido o saber necessário para moldar a paixão do artesão.

Nesta metáfora o trabalho artesanal é o sopro que movimenta aqueles que praticam a troca de saberes. Um olhar rico que exprime as riquezas e suspiros da alma. Como sentir o suspiro da alma artesã? Na pratica que se elimine a escadaria entre o docente e discente, na escuta que a faculdade possa vislumbrar a vida micro que a cidade pulsa. Há mundos além do cotidiano do campus (FLC-Assis), corpos que caminham e (des)caminham pelas cortinas que acessam a vida. O objetivo deste encontro é fazer germinar o trabalho artesanal entre docente e discente. Reconstruir e viabilizar uma ponte que interliga a cidade e o campus, por meio da obra e da figura do pintor Ranchinho. Buscaremos as memórias que constituem o rosto múltiplo deste artista. A cidade possui memória emotiva que desperta a alma dos transeuntes com afetos e encontros.

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A inspiração para esse Encontro nos veio do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875 – 1961) que, pioneiramente, desvelou no discurso psicótico uma imensurável riqueza simbólica e mítica. Essa perspectiva foi criativamente desenvolvida em nosso meio pela Dra. Nise da Silveira. Dentro do sujeito está aberta a caixa de Pandora, tantas imagens e vozes ecoam dentro do dito “doidinho da praça”.

“Sou médico e lido com pessoas simples. Sei, por isso, que as universidades não são mais fonte de conhecimento. As pessoas estão cansadas de especialização científica e do intelectualismo racional. Elas querem ouvir a verdade que não limite, mas amplie; que não obscureça, mas ilumine; que não escorra como água, mas que penetre até os ossos. Essa busca ameaça atingir erroneamente um público anônimo, porém extenso”.

(JUNG, Carl Gustav. (1985). O Espírito na Arte e na Ciência: Petrópolis: Vozes)

Aqui, o resgate emerge no intuito de fazer (re)florescerem, em nosso campus (FLC-Assis) os encontros, por meio da psicologia analítica e das poéticas de artistas estigmatizados, esquecidos nos becos da cidade de Assis e pela faculdade. Que a delicadeza esteja no revitalizar cores e restituir vozes. Somos estudantes de psicologia da Unesp de Assis e temos um grupo de estudo do Jung, desde 2013. Este evento é fruto da prática de leituras realizadas nos encontros aos sábados, em frente ao Restaurante Universitário.